Confesso… esses últimos anos têm sido cruéis comigo.
Sinto como se estivesse assistindo minha própria vida desmoronar lentamente diante dos meus olhos, pedaço por pedaço, sem conseguir impedir.
É uma decadência silenciosa. Fria. Cansativa.
E no meio de tudo isso, me vejo sozinho.
Sem direção. Sem respostas. Sem uma mão estendida capaz de me puxar desse abismo onde estou afundando aos poucos.
Eu continuo lutando… mas já não sei até quando meu corpo, minha mente e minha alma vão suportar carregar tanto peso.
Estou exausto.
Exausto de verdade.
Existe um cansaço que o sono não cura.
Um cansaço que se instala dentro do peito e apaga a luz dos olhos.
E mesmo sem forças… eu continuo lutando.
Mas às vezes me pergunto: qual o propósito de tudo isso?
Por que nada dá certo?
Por que a vida parece fechar todas as portas justamente quando eu mais preciso respirar?
São tantas perguntas sem respostas que minha mente virou um labirinto escuro.
Talvez o universo esteja tentando me ensinar algo que eu ainda não consegui entender…
Talvez essa dor toda tenha um significado escondido no meio do caos.
Mas sinceramente?
Eu já não sei.
Tem dias em que eu queria simplesmente chorar até não restar mais nada dentro de mim…
Mas nem isso eu consigo.
As lágrimas ficam presas.
O grito fica preso.
A dor fica presa.
É como estar sufocando em silêncio enquanto o mundo continua girando normalmente lá fora.
A vida não pegou leve comigo.
Ela me arrastou no asfalto da existência sem piedade.
Me deu cicatrizes que ninguém vê.
Feridas que não aparecem no corpo, mas sangram todos os dias dentro da alma.
E eu me pergunto…
Até quando o ser humano consegue suportar o insuportável?
Até quando alguém consegue viver carregando guerras dentro de si sem desabar?
Será que um dia tudo isso vai acabar?
Será que vai existir um amanhã onde eu possa finalmente olhar para trás e dizer:
“Eu sobrevivi.”
Porque hoje eu não me sinto vivendo…
Me sinto sobrevivendo.
E mesmo assim… eu continuo lutando.
Como diz a canção da Ludmila Ferber:
“Em tempos de guerra, nunca pare de lutar.”
Então eu sigo.
Mesmo ferido.
Mesmo cansado.
Mesmo sangrando por dentro e por fora.
Sigo lutando essa guerra invisível que ninguém vê, mas que me destrói um pouco mais todos os dias.
Só que no fundo…
eu precisava de um bálsamo.
Algo que aliviasse essa dor que a vida cravou em mim.
Algo que abraçasse minhas feridas antes que elas me consumam por inteiro.
Arthur Salazar