Marrento como entorpecente,
fumaça que invade e esvazia a mente.
Tua presença bate forte,
feito tiro perdido no peito de quem sente demais.
Mira certeira no olhar…
dessas que atravessam a alma sem pedir licença.
Te encontro nas ruas da vida,
em esquinas tortas, paralelas,
algumas afundadas na escuridão,
outras queimando em luzes frias da madrugada.
Mesmo de longe,
te observo com olhos de águia.
Porque, de algum jeito,
você nunca sai do meu alcance.
Te ver me traz paz…
dessas calmas raras que silenciam o caos por dentro.
Mas quando você some,
a ausência pesa.
Vira agonia.
Frustração.
Como abstinência de algo que meu peito se viciou.
Quando você sorri,
a lua parece brilhar mais perto da Terra.
E quando fala…
tuas palavras me aquecem como fogo em noite fria.
Às vezes você parece metamorfose,
mudando diante dos meus olhos sem eu perceber.
Às vezes acho que é amor.
Às vezes dúvida.
Sim e não dançando juntos dentro de mim.
Tem dias que te vejo como herói,
capaz de salvar tudo que existe em mim de mais quebrado.
Mas em outros…
te vejo como vilão,
porque também é você quem bagunça minha paz.
E talvez seja isso que mais me assusta:
existir tanta luz em alguém
que também carrega sombra.
Arthur salazar