Fragmentos do Caos
Hoje eu queria desabafar algo que está preso dentro de mim há muito tempo. Sempre empurrei essa dor para o fundo, como se ignorá-la fosse fazê-la desaparecer. Mas ela nunca foi embora. Ficou em silêncio, crescendo dentro de mim.
Eu não sei explicar por que ninguém fica na minha vida.
Durante muito tempo procurei respostas em mim. Pensei que talvez fosse porque eu não tinha a roupa certa, porque eu não falava como os outros, porque eu nunca consegui me encaixar. Procurei defeitos no meu jeito, na minha aparência, nas minhas palavras. Ainda assim, nunca encontrei uma resposta que explicasse tantos adeuses.
Então eu me pergunto: por que ninguém fica? Por que ninguém quer ficar? O que estou fazendo de errado? Onde estou errando?
O pior não é quando alguém vai embora. O pior é quando vai sem dizer uma palavra. Sem uma explicação. Sem olhar para trás. Como se eu nunca tivesse significado nada. E cada partida deixa um vazio maior do que o anterior, um buraco que parece impossível de preencher.
Às vezes minha mente cria respostas cruéis. Penso se existe algo de errado comigo, se há alguma sombra que me acompanha, alguma maldição invisível que afasta as pessoas da minha vida. Sei que isso pode não ser verdade, mas, quando a solidão se torna rotina, até os pensamentos mais absurdos começam a parecer possíveis.
Eu nasci no caos. Cresci no caos. Estou lutando para sobreviver no caos que a vida me entregou. E, mesmo assim, continuei caminhando. Continuei acreditando. Continuei esperando que, em algum momento, alguém escolhesse ficar.
Mas estou cansado.
Cansado de sentir que sempre sou fácil de esquecer. Cansado de ser deixado para trás. Cansado de carregar sozinho um coração que já suportou perdas demais.
Talvez a pergunta nunca tenha sido "por que todos vão embora?". Talvez a pergunta mais difícil seja: quanto tempo mais eu consigo continuar acreditando que um dia alguém vai escolher permanecer?
Porque a verdade é que ninguém morre apenas por falta de companhia. Mas uma alma pode adoecer quando passa tempo demais tentando convencer o mundo de que vale a pena ser amada.
Arthur Salazar