Comecei a escrever para mim mesmo.
A escrita nasceu como um refúgio, um lugar onde eu podia guardar tudo aquilo que nunca consegui expressar em voz alta. Sentimentos, pensamentos, dores, questionamentos e reflexões que muitas vezes ficavam presos dentro de mim encontraram nas palavras uma forma de existir.
Sempre fui uma pessoa reservada quando o assunto era o que se passava na minha alma. Durante muito tempo, minhas escritas foram algo íntimo, quase um segredo. Eram conversas silenciosas entre mim e o papel. Tudo aquilo que minha boca não conseguia dizer, eu conseguia escrever.
Raramente eu mostrava meus textos para alguém. Mas, aos poucos, incentivado por amigos e pessoas próximas, comecei a compartilhar algumas das minhas reflexões. Foi então que algo inesperado aconteceu: as pessoas começaram a se identificar com aquilo que eu escrevia.
Percebi que sentimentos que eu acreditava serem apenas meus também habitavam outras pessoas. E saber que minhas palavras podiam acolher, inspirar ou simplesmente fazer alguém se sentir compreendido despertou algo muito especial dentro de mim.
A partir desse momento, passei a escrever com ainda mais verdade.
Nos períodos mais delicados da minha vida, encontrei na escrita uma forma de sobreviver. Escrevi sobre minhas dores, minhas perdas, meus sofrimentos, minhas cicatrizes e também sobre minhas superações. Cada texto carregava um pedaço da minha história e, de certa forma, me ajudava a reconstruir quem eu estava me tornando.
Hoje, compartilho minhas palavras com o mundo porque acredito no poder da transformação. Acredito que a dor pode se tornar aprendizado, que as feridas podem se transformar em força e que recomeçar é possível, mesmo quando tudo parece perdido.
Minha escrita é o reflexo da minha caminhada. É a prova de que podemos renascer das próprias cinzas quantas vezes forem necessárias.
E se você chegou até aqui, talvez minhas palavras encontrem algo dentro de você também.
Porque, no fim das contas, escrever nunca foi apenas sobre mim. Sempre foi sobre nos lembrar que não estamos sozinhos.