O vício de te Sentir

Atualizado: 4 de ago.
Marrento como entorpecente,
fumaça que invade e esvazia a mente, preenchendo o espaço com um turbilhão de pensamentos confusos e sentimentos contraditórios. Essa sensação é quase palpável, como se cada inalação me levasse a um estado de suspensão, onde a realidade se dissolve e o que resta é a sua presença, uma força poderosa que transforma tudo ao meu redor.
Tua presença bate forte,
feito tiro perdido no peito de quem sente demais, uma explosão de emoções que reverbera em cada fibra do meu ser. É como se você fosse a bala que acerta o alvo, mas o impacto é tanto que me deixa atordoado, sem saber como reagir. A intensidade do que sinto por você é avassaladora, e, ao mesmo tempo, aterrorizante, pois cada encontro é uma dança entre a euforia e a dor.
Mira certeira no olhar…
dessas que atravessam a alma sem pedir licença, como um raio que corta o céu em uma noite escura. Seus olhos têm o poder de desnudar minha essência, revelando segredos que eu mesmo escondo até de mim. Eles são janelas para um mundo onde tudo é possível, e, ao mesmo tempo, um espelho que reflete minhas inseguranças e medos mais profundos.
Te encontro nas ruas da vida,
em esquinas tortas, paralelas,
algumas afundadas na escuridão,
outras queimando em luzes frias da madrugada, onde a solidão se torna uma companhia constante. Esses lugares, repletos de histórias e memórias, se tornam cenários da nossa conexão, onde as sombras dançam e as luzes piscam em um jogo de contrastes. É nas entrelinhas da vida cotidiana que sinto sua presença pulsar, como um fio invisível que nos une, mesmo quando estamos distantes.
Mesmo de longe,
te observo com olhos de águia,
atenta a cada movimento, cada gesto, cada palavra que escapa dos teus lábios. A distância não diminui a intensidade do que sinto; ao contrário, ela amplifica a saudade, transformando cada instante longe de você em um desafio que aguarda ser superado. Porque, de algum jeito,
você nunca sai do meu alcance.
Te ver me traz paz…
dessas calmas raras que silenciam o caos por dentro, como um oásis em meio a um deserto de incertezas. Seu sorriso tem a capacidade de acalmar tempestades internas, trazendo um alívio que parece quase mágico. É como se, ao te encontrar, eu pudesse finalmente respirar, soltando todas as amarras que me prendem a um estado de inquietude.
Mas quando você some,
a ausência pesa.
Vira agonia,
uma sensação de vazio que se instala e se alastra, como um eco que ressoa em um espaço sem fim. A frustração se torna uma sombra constante, uma lembrança daquilo que foi e que agora parece distante. É como a abstinência de algo que meu peito se viciou, uma necessidade que não pode ser saciada, um desejo ardente que queima e me consome.
Quando você sorri,
a lua parece brilhar mais perto da Terra,
iluminando até os cantos mais escuros da minha existência. Seu sorriso é um farol em meio à neblina, uma promessa de que tudo pode ser diferente, que a beleza ainda existe. E quando fala…
tuas palavras me aquecem como fogo em noite fria,
cada sílaba é um abraço que me envolve, me conforta e me faz sentir que não estou sozinho nesse vasto universo. Às vezes você parece metamorfose,
mudando diante dos meus olhos sem eu perceber,
como uma borboleta que se transforma em algo ainda mais belo. Essa capacidade de se reinventar me fascina e me confunde, e, em meio a essas mudanças, eu me pergunto: quem é você realmente?
Às vezes acho que é amor,
uma força que transcende o físico e se conecta à essência do ser. Às vezes dúvida,
uma sombra que se arrasta ao meu lado, questionando se tudo isso é real ou apenas um devaneio. Sim e não dançando juntos dentro de mim, criando uma sinfonia de emoções que me leva a um estado de constante reflexão.
Tem dias que te vejo como herói,
capaz de salvar tudo que existe em mim de mais quebrado,
um salvador que traz esperança e renovação. Mas em outros…
te vejo como vilão,
porque também é você quem bagunça minha paz,
desafiando meu equilíbrio e me fazendo questionar tudo o que conheço. E talvez seja isso que mais me assusta:
existir tanta luz em alguém
que também carrega sombra.
Arthur Salazar



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