Até onde o amor pode suportar?
Há uma pergunta que, de vez em quando, senta ao meu lado em silêncio e se recusa a ir embora: até onde o amor pode suportar?
Olho para algumas histórias e não consigo entender. Vejo duas pessoas que ainda se amam, mas que já não conseguem caminhar na mesma direção. Entre elas existe uma vida que nasceu desse amor, um filho que carrega nos olhos a mistura de dois corações que um dia prometeram permanecer juntos.
Então tudo se torna mais difícil.
Enquanto um insiste em partir, o outro luta para ficar. Um se cansa de tentar. O outro se recusa a desistir. E, no meio dessa guerra silenciosa, o amor vai sendo ferido pelas palavras que nunca deveriam ter sido ditas, pelos abraços que deixaram de acontecer e pelos silêncios que passaram a machucar mais do que qualquer discussão.
É estranho pensar que, às vezes, o amor continua existindo, mas já não consegue sustentar a relação.
Será que a distância é um remédio? Ou apenas uma forma lenta de transformar presença em saudade? Será que o tempo cura mesmo? Ou ele apenas nos ensina a conviver com uma dor que nunca foi embora?
Não sei.
O tempo tem mãos contraditórias. Com uma, ele cicatriza. Com a outra, ele aperta as lembranças até elas doerem outra vez.
Porque deve existir uma dor difícil de explicar: ver quem um dia foi o amor da sua vida reconstruindo a felicidade ao lado de outra pessoa, enquanto você precisa sorrir por causa dos filhos, conversar quando for necessário e fingir que o coração aprendeu um caminho que, na verdade, ele ainda não conhece.
Talvez amar também seja isso: aceitar que nem sempre o sentimento é suficiente para impedir um adeus.
E talvez existam amores que nunca deixam de existir. Apenas mudam de lugar. Saem da rotina da vida e passam a morar, em silêncio, dentro das lembranças.
No fim, continuo sem resposta.
Só sei que o amor suporta muito mais do que imaginamos... mas nenhum amor suporta para sempre aquilo que deixou de ser cuidado.
Arthur Salazar