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Fragmentos do Caos

Foto do escritor: Arthur Salazar
Arthur Salazar
20 de jul.
4 min de leitura

Atualizado: 4 de ago.


Hoje eu queria desabafar algo que está preso dentro de mim há muito tempo. Sempre empurrei essa dor para o fundo, como se ignorá-la fosse fazê-la desaparecer. Mas ela nunca foi embora. Ficou em silêncio, crescendo dentro de mim, como uma sombra que se expande a cada dia, ocupando mais espaço no meu coração e na minha mente. É uma sensação angustiante, como se estivesse carregando um peso que não consigo compartilhar com ninguém. A cada sorriso forçado, a cada conversa superficial, sinto que essa dor se intensifica, como um grito ensurdecedor que ecoa em meu interior, esperando por um momento de alívio.

Eu não sei explicar por que ninguém fica na minha vida. É uma pergunta que me atormenta, que me faz questionar minha própria essência. É difícil não se sentir como um estranho em sua própria história, como se eu estivesse sempre à margem, observando as conexões que se formam ao meu redor, mas nunca sendo parte delas. O que há de errado comigo? O que me impede de criar laços duradouros? Essa incerteza se torna um labirinto sem saída, onde cada tentativa de encontrar respostas só me leva a mais perguntas.

Durante muito tempo procurei respostas em mim. Pensei que talvez fosse porque eu não tinha a roupa certa, porque eu não falava como os outros, porque eu nunca consegui me encaixar. Procurei defeitos no meu jeito, na minha aparência, nas minhas palavras. A cada reflexão, eu me tornava mais crítico, mais severo. Olhava no espelho e via não apenas um rosto, mas uma coleção de inseguranças e medos. Ainda assim, nunca encontrei uma resposta que explicasse tantos adeuses. A ausência de explicações concretas só aumentava minha frustração e solidão, como se eu estivesse em um ciclo interminável de autoanálise sem resultados.

Então eu me pergunto: por que ninguém fica? Por que ninguém quer ficar? O que estou fazendo de errado? Onde estou errando? Essas perguntas se repetem em minha mente, como um mantra que ecoa, e a resposta parece sempre escapar de mim, como areia entre os dedos. É como se eu estivesse em uma busca interminável por um sentido que nunca aparece, e isso só intensifica a sensação de desespero e abandono. O que eu poderia fazer diferente? O que eu poderia mudar em mim para que as pessoas quisessem permanecer ao meu lado? Essas incertezas se transformam em um fardo pesado, que eu carrego a cada dia.

O pior não é quando alguém vai embora. O pior é quando vai sem dizer uma palavra. Sem uma explicação. Sem olhar para trás. Como se eu nunca tivesse significado nada. Cada partida deixa um vazio maior do que o anterior, um buraco que parece impossível de preencher. É como se cada adeus fosse uma nova ferida, uma nova cicatriz em um coração que já está marcado. E o silêncio que se segue é ensurdecedor, uma lembrança constante de que as pessoas que eu valorizei não sentiram a mesma conexão. Esse silêncio é um eco de todas as promessas não cumpridas e de todas as esperanças que se desfizeram.

Às vezes minha mente cria respostas cruéis. Penso se existe algo de errado comigo, se há alguma sombra que me acompanha, alguma maldição invisível que afasta as pessoas da minha vida. Sei que isso pode não ser verdade, mas, quando a solidão se torna rotina, até os pensamentos mais absurdos começam a parecer possíveis. O desespero pode distorcer a realidade, fazendo com que eu me sinta como um fardo para os outros, como se a minha presença fosse um peso que ninguém quer carregar. Essa ideia se torna uma prisão, uma barreira que me impede de me abrir para novas oportunidades e novos relacionamentos.

Eu nasci no caos. Cresci no caos. Estou lutando para sobreviver no caos que a vida me entregou. E, mesmo assim, continuei caminhando. Continuei acreditando. Continuei esperando que, em algum momento, alguém escolhesse ficar. Essa esperança se torna uma luz fraca em meio à escuridão, um fio tênue que me mantém em movimento, mesmo quando tudo parece desmoronar ao meu redor. Mas essa esperança também é um peso, uma responsabilidade que às vezes parece insuportável. O desejo de ser amado e aceito é uma força poderosa, mas também uma fonte de dor quando a realidade não corresponde às minhas expectativas.

Mas estou cansado. Cansado de sentir que sempre sou fácil de esquecer. Cansado de ser deixado para trás. Cansado de carregar sozinho um coração que já suportou perdas demais. A fadiga emocional se acumula, e o desânimo se torna uma companhia constante. É um cansaço que vai além do físico; é uma exaustão da alma, uma sensação de que cada dia é uma luta para manter a esperança viva. As memórias das pessoas que partiram se tornam sombras que me seguem, lembranças que pesam na minha mente e no meu coração.

Talvez a pergunta nunca tenha sido "por que todos vão embora?". Talvez a pergunta mais difícil seja: quanto tempo mais eu consigo continuar acreditando que um dia alguém vai escolher permanecer? Essa dúvida se torna um eco persistente, uma questão que me atormenta nas noites silenciosas, quando a solidão se torna palpável. O futuro parece incerto, e a ideia de que um dia alguém possa escolher ficar se torna uma esperança cada vez mais frágil. A incerteza me consome, e a dúvida se transforma em um peso que eu não sei se conseguirei suportar por muito mais tempo.

Porque a verdade é que ninguém morre apenas por falta de companhia. Mas uma alma pode adoecer quando passa tempo demais tentando convencer o mundo de que vale a pena ser amada. Essa luta interna é desgastante, e a necessidade de validação pode se tornar uma prisão. O desejo de ser aceito e amado pode levar a uma busca incessante por aprovação, e essa busca, por sua vez, pode se transformar em um ciclo vicioso que só aumenta a dor e a solidão. A busca por amor e conexão se torna uma batalha constante, e a batalha mais difícil é aquela que travamos dentro de nós mesmos, onde a solidão se torna uma presença constante e a esperança um bem precioso que parece escasso.

 

 

Arthur Salazar

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