Na verdade, o Sol nunca foi apenas aquele astro queimando acima das nossas cabeças.
O Sol são as pessoas que, mesmo em tempos frios, ainda encontram coragem pra estender a mão nos dias ruins. São aqueles raros seres humanos que percebem quando o sorriso já não sustenta o peso do olhar.
E o abismo… talvez ele seja isso que carregamos calados dentro do peito.
As guerras internas que ninguém vê.
As dores que não contamos.
As palavras engasgadas na garganta como vidro atravessado na alma.
Porque às vezes a gente quer falar. Deus sabe que quer.
Mas parece que alguma coisa trava a língua, sufoca o peito e transforma sentimento em silêncio.
Então o olhar começa a falar pela gente.
E quem está no abismo sempre pede socorro com os olhos.
Mesmo sem dizer uma palavra.
Só queria que alguém percebesse.
Que alguém parasse por um instante nessa correria miserável da vida e perguntasse com verdade:
“Você está bem?”
“Posso te ajudar?”
Ou talvez nem precisasse de palavras.
Talvez bastasse um abraço sincero.
Um daqueles abraços que seguram os cacos sem fazer perguntas.
Mas o mundo endureceu.
Hoje muita gente vive tão presa nas próprias dores que já não consegue enxergar a dor do outro.
Existe egoísmo, sim. Existe frieza.
Mas também existem pessoas cansadas de lutar batalhas invisíveis enquanto fingem que está tudo bem.
E talvez seja isso que mais destrói alguém:
ter que sangrar em silêncio enquanto o mundo continua girando como se nada estivesse acontecendo.
Mas escuta…
Mesmo no fundo do abismo, o Sol ainda existe.
Mesmo que agora você só enxergue escuridão, a luz ainda sabe o caminho até você.
E quando ninguém perceber tua dor, quando ninguém ouvir teu silêncio, quando parecer que você foi abandonado no canto mais escuro da existência… saiba que o Dono do amor continua olhando pra você.
Ele vê o que ninguém vê.
Escuta o que você não consegue dizer.
E não abandona quem está quebrado.
O Sol ainda vai tocar esse abismo que você enfrenta.
E no dia em que a luz entrar outra vez, você vai perceber que sobreviveu aos dias em que pensou que estava desaparecendo por dentro.
Arthur salazar
